Henrique Barros

Henrique Barros: «Golpe de Ariete»

Vivemos hoje um momento único na nossa vida e na nossa sociedade, pela dimensão, pelo impacto e sobretudo pelo curtíssimo tempo de ocorrência. Este verdadeiro Golpe de Ariete à escala planetária, produziu impactos sem precedentes nas sociedades e economias dos países mais fortes.

Congelamento das economias, confinamento de dois biliões de pessoas nas suas habitações, queda do petróleo para um terço do valor, colapso das maiores bolsas mundiais, desaparecimento de poluição em zonas de forte atividade industrial ou imagens arrepiantes de cidades gigantes quase sem vida. Bastaram três meses de pandemia. Um trimestre que não devia fazer parte da história, mas que irá fazer história.

Observado de Portugal, este turbilhão de acontecimentos que caminhou rapidamente para a Europa em Fevereiro, inspira a sensação de impotência deste pequeno País , encostado na Europa , que assiste , incrédulo , ao colapso no sistema de saúde e ao bloqueio da atividade económica dos seus vizinhos mais próximos e bem mais poderosos. E Portugal aterrou. Em Março e após algumas hesitações, suscetibilidades e esperanças infundadas, o País parou. Pararam as escolas, o comércio, muitos serviços e muitas empresas. O Estado foi para casa e só os profissionais do bem comum ficaram para assegurar que não deixaríamos de lutar pelos nossos. E nesta vertigem, logo se percebeu que os Portugueses entendiam o que estava em causa e revelaram aquilo em que são melhores: reagir a tempos difíceis. Nada está ainda garantido, pois temos uma situação grave de Saúde Pública, mas parece que evitamos o caos de uma montanha russa de fatalidades e isso é assinalável.

E o que dizer da economia, dos empregos e das frágeis empresas Portuguesas enquanto ainda não assimilamos bem tudo o que aconteceu? Como podemos antever o mundo após estilhaçarem as certezas que tínhamos de uma lei natural para a vida de países e da sua economia? É um mundo diferente o que vamos encontrar. Mas será obrigatoriamente mau ou fatal para Portugal?

A primeira demonstração de que Portugal não deve temer o futuro, foi dada pela reação de inúmeras empresas, que se adaptaram a uma nova realidade, numa questão de dias , para produzirem bens urgentes como batas, máscaras, álcool, gel ou até ventiladores hospitalares. Admirável, mas não é surpreendente.

A capacidade adaptativa, acrescido de algum génio criativo, temperado com maior confiança nas capacidades das empresas e das suas equipas, os empresários estão em posição de assegurar resposta a desafios que têm de ser vencidos. As lições aprendidas em 2010 ainda são recentes e importantes no modelo estratégico e na melhoria organizacional impostas pela crise de então.

Se as empresas forem salvas dos efeitos do Golpe de Ariete na economia, então serão elas a garantir e eliminação da extirpe do vírus do medo. Mas para serem salvas, não podem morrer da cura por endividamento forçado. Não chega garantir tesouraria de curto prazo. É necessário que as empresas se libertem de encargos. Nesta componente, os impostos e a Segurança Social deveriam ser repensados. Em nome do emprego, da massa salarial, e da liquidez das empresas. Esta será a oportunidade obrigatória de repensar a dimensão do estado e o peso dele no custo das empresas e dos cidadãos.

Lisboa, 06 de abril de 2020

Henrique Barros

CEO ARCH Valadares

Mais Notícias