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João Pessoa e Costa: «Diário de Bordo»

Parte 1 –  Ontem

Semanas muito difíceis.  Fomos apanhados de surpresa.  Tempo para cuidarmos da saúde da nossa comunidade e de protegermos os nossos mais próximos. 

Muita informação. Do mundo, da Europa, de Portugal.

Como em tudo, foi necessário selecionar.  Só quero noticias úteis, de instituições de confiança.  Dos mais chegados, só utilizo as mensagens positivas e ignoro as negativas.

A solidariedade, o altruísmo e a generosidade brilham mais nas tragédias.

A memória é seletiva e guardo os momentos que cultivam o meu otimismo.

Parte 2 – Hoje

O mundo está virado do avesso e a economia parou.

Tudo começou na China. Nos últimos 20 anos, o número de aeroportos multiplicou-se por 5 vezes mais.  E o número de passageiros mais ainda. A propagação é imparável.

O Covid 19, tomou conta das nossas vidas,  o PIB mundial vai cair para resultados históricos e o preço do petróleo está entre os 10 e os 15 dólares.

Os lucros dos bancos caem  mais de 70%.

 O desemprego sobe para números preocupantes.

Teme-se o pior.

O BCE já adquiriu 96,72 mil milhões de euros em títulos de dívida pública e privada, no âmbito do programa especial de combate à pandemia.

O mesmo BCE, que diz que só vai cobrir o défice português até 8,4%.

 O FMI prevê que as necessidades de financiamento do estado Português subam para 18,6% do PIB, ou seja, 36 mil milhões de euros.

Diz-se na Europa, que quando a Alemanha se constipa, o resto dos países tem uma forte pneumonia.

 Quase 3 milhões de desempregados.

Pois bem, 50% das exportações alemãs são para países da União Europeia.  O governo alemão financiado a juro negativo, já acudiu à Adidas, à Lufthansa e à Tui .  A TUI que deve ser o operador turístico que mais  turistas coloca em Portugal.  Superior a 10 milhões  por ano. 

Em Portugal, há 100.000 empresas em lay-off , mais de 1 milhão de trabalhadores em casa, abrangidos por este regime e 80.000 novos pedidos de subsidio de desemprego.

O turismo, responsável por mais de 16% do PIB em Portugal e cerca de 11% do PIB europeu parou.  São cerca de 27 milhões de empregos diretos e indiretos na UE e 3 milhões de empresas ( 90% pequenas e médias empresas ). Neste setor, em Portugal estima-se quebras diárias de 8,5 milhões de euros.

O setor têxtil tem 68% das suas empresas em lay-off.

A GALP encerra a sua refinaria em Sines por um mês.

A TAP perde 4 milhões de euros por semana.

O setor da restauração emprega cerca de 250.000 trabalhadores e está fechado.

Muita preocupação com as famílias portuguesas e com os mais idosos.

Temos 1 milhão de pessoas a viver com menos de 250 euros por mês e 2 milhões de pessoas com menos de 450 euros/mês.

Os bancos alimentares apoiam 380.000 pessoas.  Nos últimos dias , 12.000 novos pedidos, igual a mais 58.000 pessoas.

Já pediram empréstimos para pagamento de rendas ao IHRU, 1.144 famílias.

Os casamentos caíram em Abril, 92%.

Já há 103.000 contas low cost no sistema bancário.

Há 150.000 idosos a viver em lares.  Cerca de 80.000 em IPSS e Mesericórdias.

Mais de 1,5 milhões de pessoas com mais 70 anos.

Portugal esteve muito bem. O SNS deu-nos tranquilidade. O PR e o Governo foram eficazes. Os setores da saúde, dos transportes, da higiene urbana, da distribuição, da logística, da atividade bancária e seguradora, da segurança, disseram sempre presente. Não caíram, foram à luta. Muito bom.

Parte 3 –  Amanhã

Preparar regresso das empresas ao trabalho.

A remessa de emigrantes vai provocar muitos danos e vitimas.

As pessoas podem trabalhar por turnos. Não precisam de passe social para todos os dias.

O teletrabalho veio para ficar. Pode haver escritórios a mais no mercado.

Cheque- Emergência de 15.000 euros.

Mais investimento público, pode proteger-nos de um aumento de impostos.

230 deputados na AR. São necessários ?

O Desafio:  Como evitar que a seguir ao lay-off, venham os despedimentos?

Há 10 profissões muito procuradas, durante a pandemia.  Médicos, Enfermeiros, psicólogos, motoristas, técnicos de laboratório, contabilistas, entre outros.

A transição digital das empresas.

A logística vai crescer. Muita procura de áreas para armazéns e com bons acessos.

Aumento da procura de habitação. Vivendas, vivendas sociais com pequeno quintal.  Apartamentos com varandas.

Turismo do Futuro :  Mais sustentável, mais verde, mais digital, mais resiliente.

E já agora, limitar ao máximo a evasão fiscal das grandes empresas na EU. Luxemburgo, Suíça, Holanda e alguns territórios anexos ao Reino Unido, podem e devem deixar de contribuir para esta grave situação de injustiça, perante os restantes cidadãos europeus.

Lisboa, 05 de maio de 2020

João Pessoa e Costa

Administrador da Preserotel, SA
Grupo Imobiliário Fernando Martins

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