Luís Mira Amaral

Luís Mira Amaral: «O Covid-19 e a recuperação económica»

O COVID-19 provocou um duplo choque sem precedentes sobre a oferta (interrupção das cadeias de abastecimento, desintegração das cadeias de valor globais e trabalhadores em quarentena) e sobre a procura (consumo, investimentos e exportações a caírem a pique), tanto a nível nacional como internacional. Temos quedas monumentais do PIB, aumentos consideráveis dos défices e dívidas públicas e o desemprego a subir em flecha.

De uma maneira geral, os governos estão numa primeira fase a privilegiar a frente sanitária, tentando combater e controlar a epidemia, enquanto na frente económica enveredam por políticas de mitigação da crise-período de “lockdown” da economia com apoio quer ao rendimento das famílias e dos trabalhadores nas empresas e sectores afectados, quer à sustentação temporária das empresas através de apoios à liquidez e à tesouraria e ao recurso mais facilitado ao credito bancário.

Seguir-se-á uma segunda fase com políticas de preparação para a reactivação da actividade económica, seguidas numa terceira fase de políticas de sustentação do processo de retoma. Acabaremos depois nas inevitáveis políticas de estabilização económica, com a tentativa de reposição dos equilíbrios macroeconómicos e de redução do endividamento público e privado, ao mesmo tempo que se tenta a aceleração da actividade económica.

É evidente que quanto mais se conseguirem aguentar empresas e trabalhadores na fase do “lockdown” e menos tempo levar a crise sanitária, mais rápida será a recuperação da actividade económica a partir dessa base económica que se conseguiu manter. Haverá naturalmente sectores com recuperação mais rápida e outros que levarão mais tempo, como vai acontecer com o Turismo.

O Banco de Portugal estima para este ano num cenário-base uma recessão de 3.7% com o investimento e as exportações a caírem respectivamente 10.8% e 12.1%. Num cenário mais adverso o produto cairia 5.7% este ano mas recuperaria mais rapidamente nos anos seguintes.

O Forum para a Competitividade estima no cenário mais benigno uma recessão de 4% este ano, mas que poderá chegar aos 8% caso a crise se prolongue e as medidas adoptadas se revelem insuficientes.

Lisboa, 6 de Abril de 2020

Luís Mira Amaral

Engenheiro, Economista e Gestor

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