Paulo Magro da Luz

Paulo Magro da Luz: «Que País após a quarentena?»

Um País a viver uma contracção económica muito particular e assimétrica: dadas as suas características, terá um impacto especialmente forte em agentes centrais do nosso tecido empresarial, as micro e pequenas empresas e profissionais liberais/freelancers. Neste contexto, o formato específico das opções de políticas públicas é muito relevante: é essencial que estas aprofundem a prioridade de apoiar a liquidez de curto prazo, maximizem componentes a fundo perdido e que sejam realmente acessíveis a estes segmentos. E serão maioritariamente relevantes instrumentos para a Capitalização e aumento da dimensão das empresas portuguesas, dado o já elevado endividamento em muitos casos e a reduzida dimensão média, que dificultam a competitividade e capacidade de inovação.

Um País em que o sector público deveria acelerar a diminuição dos custos de contexto e a simplificação administrativa, potenciando um novo ciclo de inovação e crescimento da economia, num ambiente de competição global muito agressiva.

Um País em que o sector privado fará o seu papel, podendo explorar activamente várias das tendências globais que se avizinham: prováveis redefinições das cadeias de produção globais com re-localizações parciais na Europa, provável reforço de actividades de near-shoring, crescimento acentuado de sectores como a biotecnologia, farmacêutica, telemedicina ou na área tecnológica: tecnologias contactless, digitalização acentuada de processos ao nível distribuído (online-interactions, remote work, identidade e segurança digital, etc.), robotização de processos e muitas áreas relacionadas com a exploração massiva de dados.

Lisboa, 06 de abril 2020

Paulo Magro da Luz

Partner | Quadrantis Capital, SCR

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