Rodrigo Guimarães

Portugal pós-pandemia. Opinião de Rodrigo Guimarães

Talvez o que mais impressiona nesta crise inédita é a rapidez com que tudo aconteceu. Há pouco mais de um mês e meio qualquer um de nós continuava a trabalhar no seu plano de negócios sem a mínima intenção de o alterar em consequência do vírus que estava instalado na China. Tudo parecia muito distante. Não era para levar a sério. 

Rapidamente vimos que estávamos todos errados. Não foi só o governo que não estava preparado, fomos todos nós. Talvez esta seja a primeira lição a tirar desta crise. Nós, enquanto gestores e empresários, devemos estar mais atentos ao que se passa em termos de saúde pública. 

Desafiaram-me a escrever umas palavras acerca das consequências desta pandemia na nossa vida como gestores e empresários. Irei fazer o meu melhor, sendo certo que a imprevisibilidade de vários factores cruciais é enorme e consequentemente o grau de erro das minhas conclusões também será.

A primeira fase já passou. Até agora o foco foi principalmente para a limitação de danos, análise de balanço e impacto de cash flow e a introdução de métodos de trabalho à distância. O importante será pensar nas próximas fases.

A segunda, é a que estamos a viver agora, e é a crucial. É a preparação para a recuperação que indiscutivelmente chegará. Agora os temas são principalmente de leadership. Motivação das equipas, rumo na estratégia de curto/médio prazo e ligação aos clientes/fornecedores. Temos também de utilizar estes tempos de trabalho à distância para melhorar procedimentos internos e para tentar inovar para os nossos combates futuros. 

A maioria dos consultores e analistas têm tido um ponto em comum: nada será como antes. Haverá um before e um after Covid 19. Também sou da mesma opinião só que não de uma forma tão generalizada como tenho visto escrito. As consequências destes tempos serão principalmente aceleradores de tendências (trend accelerators). Todos concordaram que o on-line shopping vai ter uma muito maior taxa de adesão assim como o trabalho à distância. Mas, na maior parte dos nossos modelos de organização empresarial, tudo ficará muito idêntico. No entanto, as empresas terão de alterar os seus planos de negócios, principalmente na área dos investimentos, para não perderem quota de mercado para os seus concorrentes melhor preparados. A rapidez será crucial para a adaptação à aceleração das tendências.

A reabertura da economia vai passar, segundo dizem os especialistas, por vários avanços e recuos. Assim, mais do nunca será vital um estado de concentração e foco total no essencial. É expectável que alterações súbitas nos mercados financeiros façam dispersar as nossas atenções. Na minha opinião uma coisa é certa, será na concentração e implementação das estratégias de investimento que estará o sucesso das nossas empresas no after Covid 19.

Lisboa, 06 de Abril de 2020

Rodrigo Guimarães

Partner na Explorer Investments

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