Tomás Pinto Gonçalves

Tomás Pinto Gonçalves: «A quarentena será dura, mas valerá a pena»

A quarentena não está a acabar, a procissão ainda vai no adro. Quarentena é, por defeito, o período máximo de incubação de uma doença e a doença económica irá ficar ligada à “incubadora” durante muitos anos, até estabilizar esta “septicémia” (resposta natural do corpo a uma infeção grave acabando por se danificar a si próprio, com insuficiência e mesmo falência dos órgãos).

Falências, insolvências, desemprego, rutura da segurança social, aumentos de impostos, alteração de consumos, contração da procura, dívidas soberanas, subsídio-dependências, instabilidade nos mercados, muitos serão os danos desta pandemia económica, com consequências inimagináveis, sobretudo tendo em conta que as doenças surgirão todas ao mesmo tempo, não sendo possível medir os impactos de cada uma sobre cada qual. É a fórmula circular no Excel.

A humanidade sempre deu uma resposta maior do que o problema e desta vez não será diferente. O mundo vai mudar, nada será como antes, os danos económicos e colaterais serão tremendos, mas valerá a pena se aprendermos alguma coisa com o que este tempo nos está a ensinar: prioridades de vida, valores, modelos de trabalho que tragam felicidade e realização, sociedade de consumo que não nos torne reféns mas livres, relação com a família, com os outros e com o planeta, respeito, intervenção e missão cívica, papel do desporto e da política na sociedade, tempo e tempo de qualidade, tempo para aprendermos a fazer as coisas bem.

A quarentena será dura, mas valerá a pena.

Lisboa, 5 de Abril de 2020

Tomás Pinto Gonçalves

Gestor e Administrador de Empresas

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